terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Histórias da Casa Branca: E depois de Barack e Hillary?

TEXTO PUBLICADO NO SITE TVI24.PT, A 14 DE JANEIRO DE 2013:

Há uma contradição curiosa nas perspetivas para os próximos anos dos dois partidos que formam o sistema político na América.

As eleições de novembro de 2012 mostraram, de forma clara, que os democratas estão a aproveitar muito melhor as profundas alterações demográficas que se têm verificado na América nos últimos anos.

A «coligação Obama», que elegeu Barack em 2008 e foi fundamental para reeleger o Presidente em 2012 (em período económico que não auguraria uma reeleição), compôs-se de mulheres, jovens, negros, latinos, asiáticos, «gays» e ainda de um segmento esquecido mesmo pelos analistas, mas que se mostrou muito importante na nova maioria presidencial da América: os 20% de americanos que dizem não ter religião. 

Em contraste, o Partido Republicano acentua, nos mais recentes ciclos eleitorais, uma incapacidade de perceber que os Estados Unidos estão a mudar. 

Os ridículos 21 por cento que Mitt Romney obteve junto do eleitorado latino, nas presidenciais de novembro, são a prova de que a Direita americana não percebeu como é que Obama foi capaz de repetir os triunfos em estados como o Colorado, o Nevada ou mesmo a Florida. 

Quer isto dizer que os democratas ganharam aos republicanos, em definitivo, a guerra cultural da América?

Mais devagar. Uma análise sobre as possibilidades de cada campo mostra-nos que os dois partidos não são assim tão distintos na sua composição.

Alguns analistas acentuam mesmo a expressão «coligação Obama», para explicar que o mérito foi do candidato e Presidente, não tanto da agenda dos democratas. 

O jogo das antecipações para eventuais pretendentes presidenciais em 2016 ajuda-nos a perceber o que está em causa.

Na verdade, os democratas não mostram ter qualquer alternativa firmada ao caso muito especial de Hillary Clinton.

Os nomes que se preparam para atacar as primárias, numa eventual não-candidatura de Hillary, integram-se todos num clássico «white-male» que os democratas pareciam ter quebrado com o duelo Obama/Hillary de 2008: o governador de Nova Iorque, Andrew Cuomo; o governador do Maryland, Martin O¿Malley; o governador do Montana, Brian Schweitzer; o vice-presidente Joe Biden.

Se Hillary não avançar, onde estão as mulheres (tão importantes na tal «coligação Obama») no primeiro palco dos democratas? 

Há quem ponha algumas fichas na senadora Kirsten Gillibrand, de Nova Iorque, ou mesmo na senadora Jeanne Shaheen, do New Hampshire ou ainda em Elizabeth Warren (figura importante na primeira administração Obama e recentemente eleita senadora pelo Massachussets, que poderia assumir parte da herança política e ideológica da era Obama). 

O facto, porém, é que estes nomes - merecendo atenção em relação ao que vão ser os próximos anos da política americana - não parecem suficientemente fortes para sustentarem uma nomeação presidencial daqui a menos de quatro anos. 

Será que os triunfos eleitorais de Obama (com a «reserva» Hillary Clinton a prometer novas vitórias) fizeram adormecer a necessidade de renovação e dispersão de alternativas do Partido Democrata?

No campo oposto, os republicanos deram mostras de produzirem, de forma um pouco mais sustentada, alternativas firmes que apontam para uma maior diversidade.

Marco Rubio, senador pela Florida de ascendência cubana, será talvez a principal aposta republicana para as primárias de 2016. 

E há também Brian Sandoval (governador do Nevada, de ascendência mexicana) e Ted Cruz (senador júnior do Texas, de família cubana). 

Mulheres republicanas com peso nacional? Kelly Ayotte (senadora pelo New Hampshire), Susana Martinez (governadora do Novo México) ou Nikki Haley (governadora da Carolina do Sul).

Democratas mais diversos que os republicanos? Ao nível das cúpulas, neste momento parece que não. 

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